Festa para todo lado
Getúlio
estava internado no Hopital Municipal Miguel Couto em estado grave. A família
ainda não comparecera à delegacia. Estavam cuidando do patriarca e tentando
transferi-lo para um hospital particular o que dependia não apenas de vaga mas
também, e principalmente, das condições do paciente. O motorista de Getúlio
estava ainda desaparecido, o que provocava incertezas nos policiais. Será que
ele fora capturado pelo grupo que emboscara o carro que ele dirigia? Será que
ele também fazia parte da quadrilha? Faltavam muitas respostas naquele epsódio.
O importante é que Getúlio, pelo menos por enquanto, estava vivo. O delegado
providenciara uma escolta informal que, sem se identificar, acompanhava Getúlio
no hospital preservando sua segurança.
Já
anoitecera quando juntos, Paulo Lobo e seus familiares (Glória, Afonso e
Angélica) saíram daquele ambiente sempre tão pesado e se despediram seguindo
cada um seu rumo.
Lobo
evitava pensar nos fatos, precisava dar descanso à mente se queria rever os
episódios com o necessário distanciamento e já sem qualquer envolvimento
emocional.
Chegou
em casa pronto para um banho, jantar e cama. Pensava em ver um filme antes de
dormir - um romance ou comédia, nada de ação ou policial ou terror pensava ele
consigo mesmo quando constatou que a casa estava deserta. Reação natural: sacou
o celular!
-
Bia!
-
Comigo tudo bem! Cadê todo mundo?
-
Onde? Na Glorinha! O que vocês foram fazer ai?
-
Eu sei amor. Minha cabeça funciona diferente da sua. Mas vocês demoram?
-
Festa? Eu ir para ...
-
Bia... Estou cansado, louco por um banho, uma comidinha caseira... Casa cheia?
-
E sequestro se comemora?
-
Resgate! Uma violência que acabou tragicamente, embora Angélica tenha saído
ilesa, tem o que comemorar?
-
O “ilesa”! Sei! Só minha família mesmo!
-
O que? A casa está cheia! ... Coitada da minha irmã!
-
Eu!... Mesmo! Tá, tá, tá! ... Tá! Só vou
tomar um banho, passar numa lanchonete e sigo para ai.
-
Lanchar ai... Tá!
-
No posto de gasolina? Pra quê?
-
São 25 pizzas família, 12 refrigerantes grandes e 36 latinhas de cerveja. Tá
bom, de antártica ou daquela que desce redondo. Tá! ... Tá amor! Vocês inventam
e eu pago a conta, ainda por cima!
-
Sei, sei... na loja de conveniências!
-
Hollywood para o Afonso?! Ainda vou ter que sustentar vício de irmão marmanjo?
Acho que não vou mais não!
Paulo
riu dos queixumes do outro lado da linha e desligou a ligação rendido pela
matriarca de sua família já tentando se conformar que um pouco de festa
ajudaria a espairecer mais rapidamente. Tudo é motivo para uma boa comemoração.
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