Paulo
estava gostando de sua nova rotina. Aos poucos uma grande equipe de
especialistas ia se formando, uma vez que sua nova atividade exigia. Seus
métodos de trabalho, com base tecnológica, multiprofissional e científica,
estavam proporcionando resultados rápidos e eficazes, atraindo cada vez mais
clientes com base na melhor das propagandas - a boca a boca.
Seu
gabinete, conhecido no seio familiar como “Toca de Lobo” ia evoluindo
rapidamente. O sobrado localizava-se próximo à Praça XV, no centro mais antigo
do Rio de Janeiro. Como todo prédio da época ele possuía um pé direito alto
formando de frente dois andares. Reformas anteriores deram origem nos fundos a
um “sobrado” de três andares. Este sobrado foi mantido oculto aos clientes e
visitantes, no térreo ficava uma porta dupla em madeira de lei trabalhada com
acesso imediato à escada que levava o cliente a uma ampla recepção com piso e
metade das paredes em madeira de lei onde com um sorriso amável, mas distante,
é recebido por Sônia Divina, a eficiente secretária de Lobo, que ficava
abrigada por uma elegante mesa de nogueira contando com um IPad e um scanner
especial. Ali os clientes entregavam papéis que eram copiados para mídia
eletrônica e devolvidos imediatamente. Em seu gabinete Paulo Lobo abolira o
papel definitivamente, com exceção exclusiva para os livros.
Uma
porta de vidro (blindado) com fechadura eletrônica (e biométrica) dá acesso as
escadas para o próximo andar - um enorme escritório misturando móveis de sala,
jantar e escritório, todos em nogueira e finamente trabalhados no estilo
vitoriano. O piso claro em Jatobá Pitanga. A maior parede abriga uma exemplar
estante em pau-marfim e aço escovado, que faz um pequeno “L”, dando o toque de
modernismo. A dobra da estante esconde o acesso ao que Paulo chama de
verdadeira Toca de Lobo. Ali ele, em 3 andares exclusivos, se esconde, toma
banho, muda de roupa, dorme, pesquisa, em fim, realmente trabalha.
Sob
sua mesa de escritório apenas um IPad, sobre o aparador um desktop ligado a uma
tela de led enorme e uma impressora multifuncional à lazer de última geração.
Paulo acessava todos os equipamentos por rede sem fio podendo, sem sair de sua
mesa, apresentar relatórios e slides sobre os casos em andamento.
O
prédio, de esquina, tinha, à esquerda, um enorme estacionamento como vizinho e
Paulo Lobo conseguiu adquirir parte do prédio criando para si um estacionamento
exclusivo de três andares, mas os clientes só tinham acesso ao térreo com três
vagas. Nos demais andares ficava o estacionamento de um Maverick amarelo, usado
no cotidiano e havia espaço para três motos. No último andar ficavam o 4X4 da
Toyota para viajar com a família, um Pálio 2000, branco, normal e filmado, para
ações com disfarce. Ficava também a última aquisição: um Peugeot 308 cabriolet
(conversível) - veículo com grande número de itens de segurança.
O
que mais ajudava as ações do “GILETE” Gabinete de Investigações Lobo
Especializado em Transgressões Empresariais era o investimento em alta
tecnologia. Cada empresa que contratava seus serviços aceitava a instalação de
diversos equipamentos de vigilância eletrônica - duma parceria que Lobo
mantinha com uma multinacional israelense. De “presente” aos principais
executivos era dado um relógio funcional de mesa em formato cilíndrico que
acoplava diversos pequenos itens de escritório (clips, mini grampeador, borracha,
recados adesivos pequeno e grande, porta caneta para 3 canetas na transversal
inferior, hora digital com alarme para agendamentos existentes nos equipamentos
wireless.
Mas
o relógio era muito mais que isso. Adornado com o que pareciam botões, ele
permitia fotografar a sala em 360º sem que ninguém percebesse, gravar
conversas, ligar (por bluetooth) o celular do executivo com o número de
urgência do celular de Lobo.
Secretamente,
o “relógio espião” poderia filmar (com imagem e som) o que se passava na sala, ativado
por movimento, transmitindo tudo para a central de dados, instalada pelo
Gilete. Os arquivos que ficavam hospedados e disponibilizados em uma nuvem na
internet de acesso exclusivo de Lobo. Assim o Gabinete, ou melhor, a Toca de
Lobo, se mantinha entre as mais modernas empresas de segurança sem que ninguém
soubesse.

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